É na madrugada que me sinto mais viva. Com o silêncio lá fora é que dá vontade de sair por aí, de ir ao cinema, de fazer coisas. É na madrugada que sinto mais, que quero chorar, que quero desabafar. Quando todo mundo já foi, quando o prédio dorme, quando os carros que passam na rua são escassos. Hoje me deu saudade do que ainda estar por vir.
Ando mudada, me pergunto se não é a idade. Me disseram que é uma fase. Comprei minhas passagens para um lugar cheio de cachoeiras e tranqüilidade e é lá que passarei a virada do ano. De laranja, é a minha cor indicada. Vou sozinha e assim pretendo estar, comigo mesma, ando tão assim ultimamente... Esse ano sem você e pós você não foi fácil não. Muita coisa. Muita coisa que vem desde o ano passado. Muita informação. Talvez seja por isso que fui embora, talvez seja por isso que não consigo nem falar sobre. Agora tomo cuidados maiores, faço-me de “misteriosa”, apesar de ter cada vez mais convicção que da vida pode se dar a arte, e sigo com os meus projetos.
Desde sábado ando muito triste com essa fragilidade que somos. Fiquei muito triste pela violência e fiquei mais abalada do que imaginava, fiquei realmente mal, mas sigo confiante.
Podemos também levar um tiro a qualquer momento. E nada pode impedir, mesmo se não reagirmos e reagir no caso dele foi um ato que faz parte daquele filho da puta, com aquele coração grande e simples.
Hoje nasceu o João, filho da minha amiga Camila. Fiquei muito emocionada vendo suas fotos. Lindo e saudável! Fiquei muito feliz.
E a vida é assim né? Uma roda gigante.
Você tinha razão, eu devia morar um tempo em São Paulo, ando conhecendo paulistas e me dando muito bem com todos. Sinto-me a vontade, parece que penso da mesma maneira. Talvez seja a herança dos meus pais, assim como me deram o teatro, também me deram um comportamento “paulistano”. Rs.
Este ano que não acaba, toda hora abre mais um edital, rola mais uma oficina e me chamam para mais um novo trabalho. E o coração?













